Alcoolização de tumores hepáticos

Os tumores hepáticos primários do fígado são conhecidos como hepatocarcinomas. Geralmente, esses tumores ocorrem associados à doença crônica do fígado (cirrose), independentemente da sua etiologia, sendo mais frequentes em pacientes com hepatite C.
Os hepatocarcinomas geralmente aparecem inicialmente com pequenos tamanhos e são identificados em exames de rastreamento realizados a cada 6 meses em pacientes com cirrose hepática. Este tipo de tumor é um dos poucos tipos de câncer que não necessitam de biópsias para a sua definição, sendo o diagnóstico geralmente bem definido apenas por meio da ressonância magnética ou tomografia computadorizada. A biópsia destas lesões, entretanto, pode ser solicitada em casos duvidosos, em pacientes com a possibilidade de terem mais de um tipo de tumor, por exemplo, ou em casos em que se deseja estudar geneticamente este tumor, geralmente visando tratamentos de imunoterapia.
O hepatocarcinoma geralmente apresenta pseudo cápsulas, o que favorece o seu tratamento por meio da alcoolização percutânea.
A alcoolização percutânea de tumor hepático consiste em um tratamento curativo ablativo químico. Este tratamento é realizado por meio de punção percutânea com agulha fina. Esta agulha é avançada pela pele, até entrar no fígado e ser posicionada dentro de um tumor, guiada por ultrassonografia ou tomografia. Após estar adequadamente posicionada, é realizada a injeção de álcool absoluto estéril no interior deste tumor, que determinará a sua desidratação citoplasmática, trombose microvascular e necrose coagulativa. Este tratamento é relativamente barato e tem altas taxas de cura para tumores menores que 2,0 cm, embora também possa ser indicado com boas chances de cura para lesões maiores. Pode ser aplicado também a mais de um tumor em um mesmo procedimento.