Quimioembolização de tumores hepáticos
Quando falamos de tumores malignos do fígado, devemos separar os cânceres primários do fígado (hepatocarcinomas e colangiocarcinomas) dos cânceres metastáticos (câncer que é originado de outro local e que afetou o fígado em um segundo momento). Esta diferenciação é essencial, pois o tratamento e também o prognóstico de cada tipo de tumor do fígado dependem da sua natureza e do estágio da doença.
Os tumores primários do fígado (hepatocarcinoma ou colangiocarcinoma) terão diferentes tipos de tratamentos viáveis dependendo do seu tamanho, natureza e localização. O melhor tratamento será o transplante hepático, que provê a substituição completa de um fígado doente por outro saudável. Entretanto, nem todo paciente poderá ser elegível ao transplante, uma vez que existem uma série de características que deverão ser cumpridas para que o transplante seja realmente possível e traga benefícios ao paciente (como idade, alcoolismo, carga viral, condições físicas do paciente, tamanho do tumor).
Tumores menores que 5,0 cm poderão ser submetidos idealmente à ablação térmica ou à cirurgia de ressecção, sendo estes dois tratamentos também considerados curativos. Sempre que possível, optaremos por realizar estes tratamentos, sendo que a ablação tem grandes vantagens frente à cirurgia, por ser menos invasiva e poupar parênquima e função do fígado quando comparada à cirurgia de ressecção. A cirurgia, entretanto, pode ser mais interessante para lesões com tamanho próximo a 5,0 cm e quando o paciente tem uma função hepática boa, por exemplo. Como podemos ver, cada caso deverá ser bem investigado e discutido previamente, de preferência por uma equipe multidisciplinar, a fim de se definir qual a melhor estratégia terapêutica.
A quimioembolização consiste em uma outra alternativa muito eficaz ao tratamento do câncer hepático. Este tratamento tem como objetivo entregar de forma bem seletiva altas doses de quimioterápico para o interior dos tumores, além de promover a isquemia do tumor com oclusão de seus vasos e consequente redução de suprimento. Embora em alguns casos a embolização possa destruir por completo o tumor, geralmente não pensamos neste tratamento como uma forma curativa. Utilizamos ele mais como uma forma de conseguir reduzir o tamanho do tumor ou estacionar o seu avanço. Ele é geralmente indicado para pacientes com tumores maiores ou multifocais. Pode ser considerado também em pacientes que têm um tumor maior de 5,0 cm ou maior, com o objetivo de reduzir o seu tamanho, para posteriormente realizar a ablação térmica, cirurgia de ressecção ou transplante, que estes sim serão curativos. Nestes casos, denominamos a este tratamento como terapia locorregional combinada.
A quimioembolização é considerada como terapia de escolha com nível de evidência 1 e grau de recomendação 1 no tratamento do hepatocarcinoma, podendo ser realizada também para o tratamento de metástases hepáticas (cólon, mama, melanoma, GIST, neuroendócrino e outros).
