Drenagem de abscessos hepáticos
Os abscessos hepáticos são condições clínicas graves que ameaçam a vida do paciente. Geralmente decorrem de uma disseminação hematogênica de uma infecção em outro sítio, como o intestino, por exemplo, mas também podem ocorrer após procedimentos cutâneos pela inoculação de bactérias na pele que se instalam posteriormente no fígado.
Os abscessos hepáticos também estão comumente relacionados a doenças nas vias biliares, podendo decorrer de uma lesão na parede de uma via biliar que posteriormente fistuliza e forma um bolsão dentro do fígado conhecido como biloma. É comum que a bile coletada e sem drenagem contamine-se por bactérias da flora intestinal e posteriormente se prolifere, formando o pus no interior do abscesso.
Muitas vezes é difícil diferenciar o abscesso de lesões neoplásicas e, em situações como estas, pode ser necessário realizar em um mesmo procedimento a drenagem deste abscesso e também a biópsia com retirada de materiais que serão encaminhados à análise patológica.
O melhor tratamento dos abscessos consiste na drenagem percutânea. Neste procedimento, uma fina agulha é avançada sob visualização direta da ultrassonografia ou tomografia, sendo posteriormente implantado um dreno de pequeno calibre que permitirá aspirar todo o conteúdo da loja do abscesso e também lavá-lo diariamente afim de curar a infecção quase que imediatamente. Este procedimento não necessita de cortes, é realizado sob sedação e analgesia endovenosa. Geralmente, após 5 a 7 dias a infecção já está completamente curada e já podemos retirar o dreno e dar alta ao paciente curado.
Este tratamento evita cirurgias desnecessárias que poderão inclusive piorar a imunidade do paciente. Mais de um abscesso pode ser tratado em um mesmo procedimento.