Embolização uterina para tratamento de adenomiose
A adenomiose é uma doença que ocorre devido à proliferação do tecido endometrial para a parede do útero.
Este tecido endometrial é a camada mais interna do útero que, durante todo o ciclo menstrual, prolifera até o 14º dia do ciclo com o objetivo de receber um eventual embrião em caso de gestação. Quando não ocorre a fecundação, ao final do ciclo menstrual, este tecido descola da parede do útero em forma de sangramento, que nada mais é do que a menstruação propriamente dita.
Desta forma, este tecido endometrial foi feito apenas para ficar na camada interna do útero, uma vez que todo mês ele vai responder prontamente aos hormônios femininos, sempre com o intuito de proliferar.
Quando, por algum motivo, este tecido migra e impregna às camadas mais externas da parede do útero, ele continua seu ciclo de proliferação. Mas agora, neste lugar anômalo, onde não era para ele habitar, ele começará a determinar inflamações locais e sintomas como: dor, alteração do fluxo e frequência menstrual, dor durante relações sexuais, irritabilidade, cefaleia e tontura. Estes sintomas comumente se repetem todos os meses, sendo mais intensos geralmente no 14º dia do ciclo menstrual. Esta doença também está muito associada à infertilidade e é comumente encontrada em pacientes com miomas. Muitas são as possíveis causas teóricas para adenomiose, mas a principal é a cirurgia de cesárea.
Os tratamentos tipicamente propostos para a adenomiose consistem no uso de anticoncepcionais de alta dosagem ou, em casos severos, é proposta até a histerectomia (retirada/amputação do útero). A embolização se torna então uma excelente alternativa, sendo muito indicada para as pacientes que não desejam usar os anticoncepcionais ou não querem ser submetidas à histerectomia. Além disso, representa uma grande esperança de engravidar para as pacientes que sofrem de infertilidade relacionada à adenomiose.
A embolização faz parte dos tratamentos minimamente invasivos e, como tal, evita grandes cirurgias, traz poucos riscos com baixas taxas de complicações, não deixa cicatrizes e tem rápida recuperação.
Este tratamento é realizado por meio de uma punção com agulha fina na região da virilha, os microcateteres são navegados pelo interior dos vasos até alcançar as artérias que irrigam as áreas de adenomiose. Neste local, é realizada a infusão de micropartículas inertes que irão ocluir os vasos no interior dos focos de adenomiose, reduzindo assim o influxo de sangue. Após a adequada oclusão dos vasos, estes encolhem muitas vezes, desaparecendo ou se tornando apenas discretas cicatrizes na parede do útero com o tempo. O tratamento dura em torno de 1 a 2 horas. A embolização tem taxas de sucesso no controle dos sintomas em cerca de 70 a 90%.