Embolização de miomas uterinos

A embolização de miomas uterinos representa uma ótima alternativa ao tratamento cirúrgico dos miomas uterinos.

Os miomas uterinos correspondem a tumores benignos que surgem na parede do útero. Geralmente, esses miomas são assintomáticos, mas, dependendo do seu crescimento ou localização, podem determinar sintomas como alterações no fluxo e na frequência dos sangramentos menstruais (dismenorreia), dores/cólicas e sintomas urinários, como urgência miccional devido à compressão do útero sobre a bexiga. Além disso, os miomas uterinos podem estar relacionados à infertilidade de origem materna e podem também ser causadores de abortos de repetição.

O tratamento cirúrgico que visa manter o útero é realizado por meio da miomectomia, que consiste na remoção do mioma por meio de uma incisão. Embora seja muito eficaz na remoção da lesão, em muitos casos esse tratamento não pode ser realizado sem levar a um alto risco de evoluir para uma histerectomia, pois pode determinar deformidade e perda importante da sustentação do útero a ponto de não ser possível mantê-lo de forma saudável.

Por esses e outros motivos, a embolização de miomas representa uma grande inovação e evolução da medicina no tratamento dos miomas. Este procedimento é realizado por meio de uma punção arterial na virilha. Finos cateteres são avançados pelo interior dos vasos até alcançarem os vasos que vascularizam os miomas. Neste local, são injetadas micropartículas que irão obstruir apenas os vasos que nutrem os miomas, permitindo adequada vascularização do restante do útero.

Como resultado deste tratamento, os miomas sofrem isquemia e, consequentemente, reduzem de tamanho até se tornarem apenas lesões cicatriciais sem mais vascularização ou capacidade de crescimento. Este processo de redução de tamanho geralmente demora entre 3 a 6 meses.

Este tratamento é rápido, não deixa cicatrizes, permite o tratamento de mais de um mioma em um único procedimento e, com grande vantagem, permite preservar o útero para a possibilidade de uma gestação futura.

O melhor exame para avaliar inicialmente os miomas e também o resultado pós-embolização é a ressonância, que geralmente é solicitada no início do tratamento e após 6 meses e 1 ano do tratamento.

A melhora dos sintomas pode ocorrer já no primeiro mês, mas pode vir também posteriormente ao longo de 6 meses, uma vez que os miomas estarão lentamente reduzindo de tamanho neste período. Idealmente, a paciente será incentivada a engravidar após os 6 meses do tratamento.

Como desvantagem deste tratamento, existe um risco baixo da paciente desenvolver insuficiência ovariana após a embolização. Este risco é estimado entre 10-15% e quando ocorre geralmente é identificado em pacientes acima dos 30 anos que muitas vezes já tinham alguma disfunção ovariana previamente ao tratamento. Por este motivo, exames laboratoriais como a dosagem do hormônio mulleriano são solicitados antes e após a embolização, pois podem detectar já uma disfunção ovariana em fase inicial.

Outro tratamento muito inovador para os miomas que também é minimamente invasivo e permite o tratamento dos miomas preservando o útero para futuras gestações é a ablação dos miomas uterinos. Este tratamento também não tem cortes e consegue a redução volumétrica dos miomas em até 90% dos casos, além de não alterar a função ovariana. Saiba mais sobre a ablação de miomas por radiofrequência.