Recanalização tubária para infertilidade

A infertilidade do casal pode ter diversas causas. Entre as causas masculinas, a varicocele é o principal representante (saiba mais sobre a varicocele). Entre as causas femininas, a disfunção ou obstrução tubária representa o principal fator, juntamente com a disfunção hormonal, respondendo por cerca de 35% dos casos. Ainda por desconhecimento da técnica de recanalização tubária por parte de médicos e pacientes, no Brasil muitas mulheres com obstrução tubária são encaminhadas diretamente à realização da fertilização in vitro (FIV). Este procedimento certamente tem sua indicação neste tratamento. Entretanto, devido ao seu alto custo e considerando também que pode ocorrer falha na FIV, com necessidade de repetições deste procedimento, a recanalização tubária deve ser considerada como primeira opção, mantendo a via natural de concepção e podendo reduzir desta forma custos maiores no tratamento da infertilidade.

Cerca de até 80% das pacientes com obstrução tubária podem ser beneficiadas por este tratamento. O diagnóstico da obstrução tubária é realizado por meio da histerossalpingografia. Após o seu diagnóstico, alguns exames devem ser avaliados antes da indicação da recanalização tubária, como a ressonância magnética da pelve para investigação de possível endometriose associada; Beta HCG para excluir a possibilidade de gestação no momento do procedimento e a pesquisa de contaminação pelo Ureaplasma urealyticum, Clamydia ou Mycoplasmas no casal, pois, neste caso, a infecção geralmente assintomática, continuará determinando inflamação e aderência nas trompas, mesmo após a sua recanalização.

O procedimento da recanalização tubária é semelhante a um exame de histerossalpingografia. Uma leve sedação é realizada para que a paciente fique mais tranquila, reduzindo a ansiedade da realização do procedimento. Através da via transvaginal, as trompas uterinas são cateterizadas com microcateteres e microfios. Após a identificação das obstruções, estas são recanalizadas por estes materiais, sendo realizada ainda uma leve dilatação com balão da estenose, o que garante a resolução da estenose e a perviedade da trompa. Este tratamento é praticamente indolor e a paciente já recebe alta hospitalar após 4 horas do procedimento.