Implante de stent venoso portal
A trombose portal consiste na oclusão por sangue coagulado do principal vaso do fígado, a veia porta. Esta veia é responsável por levar todo o sangue proveniente das veias do intestino (veias mesentéricas) e também da veia do baço (veia esplênica).
A trombose da veia porta geralmente decorre da evolução da cirrose hepática e consequente hipertensão portal. Como o fígado doente fica cada vez mais enrijecido e menor, ele geralmente não consegue mais receber e nem metabolizar todo o fluxo de sangue que recebe. Com isso, o sangue fica represado e estagnado nas demais veias. Esta lentificação do fluxo, além das demais consequências da hipertensão portal como sangramentos e ascite, aumenta o risco de formar trombos nas veias. Estes trombos acabam por piorar muito a hipertensão portal e poderão desencadear de forma súbita sangramentos e piora da ascite.
Casos mais raros podem cursar com trombose portal em pacientes saudáveis (sem doença prévia do fígado). Geralmente decorrem de doenças previamente desconhecidas na coagulação que desencadeiam trombose espontânea. Outros fatores causais podem ser o uso de hormônios, infecções e trauma.
Devido à grande gravidade da trombose portal, esta deve ser reconhecida o mais rápido possível por meio de exames como o ultrassom com Doppler, tomografia ou ressonância magnética, com o objetivo de que possamos tratar esta trombose também o mais rápido possível. Quanto mais cedo tratada, maiores serão as chances de obtermos sucesso na resolução destes trombos e reconstituição da função do fígado e controle dos sintomas.
O tratamento da trombose portal consiste em realizar punções pela pele com agulha fina na topografia do fígado e/ou baço. Estas agulhas são inseridas nas veias destes órgãos e nestes locais serão avançados cateteres que promoverão a trombólise (quebra dos trombos) por meio de diferentes técnicas (injeção de medicamentos trombolíticos, utilizando dispositivos que realizam movimentos de rotação, vórtex e aspiração no interior dos trombos).
Após a retirada dos trombos, geralmente é importante também reconstruir o calibre das veias por meio da dilatação e implante de stents nessas veias, garantindo a sua perviedade e calibre, otimizando o fluxo sanguíneo em seu interior e reduzindo as chances de formação de novos trombos.
A correção também das coagulopatias por meio da análise de um hematologista e hepatologista previamente ao tratamento também é de fundamental importância a fim de evitar a formação de novos trombos.
Em pacientes cirróticos, é provável que seja necessário realizar também o implante de TIPS associado a este tratamento, com o objetivo de reduzir de forma definitiva a grande pressão contida no sistema portal.