Biópsia transjugular hepática

A biópsia hepática é um procedimento geralmente muito seguro, rápido e pouco doloroso, realizado sob sedação e anestesia local. É considerado o melhor exame para determinar com precisão o estado do fígado.

Por meio da biópsia hepática, é possível identificar o grau de gordura no fígado, investigar doenças causadas pelo acúmulo de ferro, estadiar o grau de fibrose hepática e verificar a presença de sinais inflamatórios que podem indicar a causa viral, medicamentosa ou autoimune da doença hepática. Essas informações são essenciais para determinar o tratamento adequado, como no caso de uma hepatite aguda que pode exigir um transplante hepático rápido.

A biópsia geralmente é realizada por punção transparieto-hepática, inserindo uma agulha fina pela pele do paciente. No entanto, em pacientes com falência hepática grave, especialmente relacionada à hepatite, que apresentam alterações nos fatores de coagulação e alto risco de hemorragia, a biópsia pode ser realizada por via transjugular. Esse método permite a biópsia dentro dos vasos sanguíneos, sem perfurar a cápsula do fígado, o que reduz o risco de sangramento em pacientes com distúrbios de coagulação.

Os pacientes que devem ser submetidos à biópsia hepática por via transjugular incluem aqueles com as seguintes condições:

  • Hepatopatia aguda grave sem causa conhecida, com alterações importantes no coagulograma e alto risco de hemorragia (plaquetas inferiores a 70.000 ou redução da atividade de protrombina).
  • Hepatopatia aguda em pacientes com plaquetas entre 70.000 e 100.000, na presença de ascite.
  • Avaliação quantitativa da hipertensão portal.
  • Investigação de síndromes hepatorenais sem causa conhecida.

A biópsia hepática transjugular é realizada em uma sala de hemodinâmica, utilizando acesso transjugular. Cateteres especiais são avançados pelas veias cava superior e inferior até alcançar as veias hepáticas. Uma agulha é então inserida através da veia, penetrando no parênquima hepático para retirar a amostra. Esta técnica tem a vantagem de não perfurar a cápsula hepática, o que contribui para uma melhor hemostasia após a biópsia. Além disso, permite a análise da pressão em cunha da veia porta, fornecendo dados para a avaliação do grau de hipertensão portal. Em alguns casos, durante o mesmo procedimento, é possível realizar também a biópsia renal, indicada em pacientes com síndrome hepatorenal de origem desconhecida.